Nas coisas essenciais, a unidade; nas coisas não essenciais, a liberdade; em todas as coisas, a caridade
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
terça-feira, 6 de novembro de 2018
PARAPSICOLOGIA E INTERPRETAÇÃO BIBLICA – DR WAGNER PEDRO
Parapsicologia é o estudo
dos fenômenos incomuns, em grande parte, produzidos pela mente humana.
O intuito aqui neste post,
não é defender a posição da parapsicologia, mas tem apenas o escopo de
apresentar sua perspectiva.
Vejamos a seguir, como a
parapsicologia interpreta algumas passagens bíblicas:
1) Bruxa
de endor - Samuel apareceu ou não para Saul? (1 Samuel 28:7-25)
A
bruxa de endor era uma sensitiva (ou seja, tinha excesso de sensibilidade) da
época a monarquia do rei Saul. Quando Saul vai consulta-la, ela se aproveita do
desespero do rei captando o pensamento do mesmo para descrever as características
físicas de Samuel. (isso é chamado de hiperestesia
indireta).
2) Inscrição
na parede - Foi Deus quem escreveu? (Daniel 5.25-28)
MENE,
MENE, TEQUEL, PARSIM (Ectoplasmia - ecto
= fora/ plasmia = coisa formada) ou seja, através da telergia (tele=longe
+energia) . Resumindo a mente humana de
algum dos presentes fez que se exteriorizasse no mundo energia física capaz de
surgir à inscrição na parede.
3) Elias
foi arrebatado ou não? (2 crônicas 21.12)
Usa-se
a teoria da cronologia secundária.
2Rs 2.11 – Elias foi arrebatado.
2Rs 3.1 – Começa o reino de Jorão em Israel.
2Rs 8.16 – Começa o reino de Jeorão em Judá (5 anos depois do início de Jorão).
2Cr 21.12 – Elias escreve uma carta para o rei Jeorão de Judá.
2Rs 3.1 – Começa o reino de Jorão em Israel.
2Rs 8.16 – Começa o reino de Jeorão em Judá (5 anos depois do início de Jorão).
2Cr 21.12 – Elias escreve uma carta para o rei Jeorão de Judá.
Logo, como Elias teria
escrito a carta anos depois se foi arrebatado? Para a parapsicologia Elias não
foi arrebatado para o céu celestial. Teria passado por um fenômeno de teletransporte
(deslocado de um local para outro).
4) Paulo
subiu ao terceiro céu ? (2 coríntios 12.2)
Para a parapsicologia Paulo teve uma
alucinação religiosa ou também chamada de delírio religioso (ou seja, a mente o
fez pensar ter visto o que não viu).
5) Quais
eram as marcas no corpo de Paulo? (Gálatas 6.17)
Seriam estigmas, que segundo a
parapsicologia causada por sugestões da mente, conhecido como dermografia.
DEMONOLOGIA SEGUNDO A PARAPSICOLOGIA
Para Henry Ansgar Kelly “Tudo o que os judeus
colocaram na Bíblia que diz respeito aos demônios mostra traços de noções
emprestadas de culturas estranhas ao judaísmo”.
Segundo essa linha de pensamento, os
israelitas viveram sem o diabo até chegarem à Babilônia onde houve a mistura
das culturas.
Para esta visão, os evangelistas
demonizaram todas as doenças graves da época como surdos, mudos, cegos etc.
Sobre as pessoas possessas de nosso
tempo, alegam que sofrem de uma doença chamada de encefalite anti N Metil D
aspartato que é uma síndrome neuropsiquiátrica causada por auto anticorpos
direcionados aos receptores de glutamato (causando mal funcionamento do sistema
nervoso central). Assim, causam convulsões, mudança de humor, problemas na
comunicação etc. Houve um caso clinico de um paciente que sofria dessa
patologia e simulava uma possessão demoníaca.
6) O
caso do endemoninhado do monte tabor (Mc 9.14-29; Lc 9.37-42; Mt 17.14-31).
Tratava-se apenas de uma pessoa que sofria de ataque epilético.
7) O
caso do endemoninhado gadareno (Mc 5.1-20; Lc 8.26-39; Mt 8.28-34) . Tratava-se
apenas de uma pessoa que sofria de psicose epilética ou de esquizofrenia
paranoide.
E não houve demônios entrando em porcos.
Segundo essa teoria, os evangelistas colocaram os porcos na história porque
para eles o porco é um animal imundo e proibido na alimentação dos judeus.
Porém o povo dessa região em total desrespeito as tradições judaicas estavam
fazendo criação de porcos, razão pela qual os evangelistas associaram uma coisa
a outra.
Já a expressão legião, prende-se ao fato
que havia naquela região 5.200 soldados romanos.
Igualmente não teria como os porcos se
lançarem de um precipício. Pois em Gersa que atualmente se conhece como Kursi
fica em frente do lago, porém o fato ocorreu em Gerasa que ficava a 50 quilômetros
do lago de genesaré.
8) Glossolalia é um
fenômeno pela qual uma pessoa, fica extasiada, e fala em um idioma desconhecido,
que muitos defendem ser a linguagem dos anjos. Para a parapsicologia trata-se
de um estado de transe (praticamente a auto-hipnose) que ocorre
em várias religiões como pentecostais evangélicos, católicos carismáticos,
monges budistas e hindus indianos.
9) Tentação
de Jesus (Mt 4.1-11; Mc 1.12-13; Lc 4.1-13)
Segundo explicam, Jesus havia ficado um
período aprendendo com os essênios, uma seita judaica que o próprio João
Batista fez parte.
E pertencente a esta seita, praticou o isolamento
no deserto para meditação.
Uma vez no deserto isolado, sofreu um
fenômeno chamado de inédia que é a possibilidade
de sobreviver sem alimentos – processo semelhante à de árvores chamado
fotossíntese.
Porém o longo período de
abstinência de líquidos e sólidos, fez com que tivesse alucinações e delírios.
Acrescentam ainda que Jesus
não ficou 40 dias literais de 24 horas como o texto narra, mas dizem que 40 é
um número simbólico que significa uma mudança de época (um marco de antes e
depois). Neste caso, marcaria o inicio do ministério de Jesus.
Conclusão:
A parapsicologia nunca vai
explicar os fatos sobrenaturalmente. Ela sempre vai tentar explicar os fatos utilizando-se
de experimentos científicos.
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
OS CUSTOS DA FACULDADE SÃO MAIORES QUE OS BENEFÍCIOS – DR WAGNER PEDRO
Pesquisas
dizem que 53% dos alunos que entram em uma faculdade de 4 anos levam 6 anos
para se formar e 1/5 dos alunos não se formam.
Fazendo meu bacharelado de 5 anos, gastei
R$ 27.664,25 apenas com as mensalidades, fora transporte, alimentação e
livros que acredito que chega em torno de R$ 50.000,00 mil reais. Estimo que levei
basicamente o mesmo período de 5 anos para ganhar este valor após formado.
Igualmente,
as faculdades não conseguem ensinar para os alunos o que eles precisam saber
para obter o sucesso no mercado de trabalho. As faculdades que recebem
diretrizes do MEC preocupam-se muito em teorias que pouco agrega na prática. No
caso da faculdade de direito, após ter me formado, várias matérias já estavam
obsoletas e precisei fazer cursos de atualizações.
Conforme
visto nos dados citados há indícios de que estamos empurrando os estudantes
para as faculdades sem estarem preparados para o grau universitário.
Em
2011 os empréstimos estudantis nos EUA passaram de um trilhão de dólares, e os
números aumentam, mais de 2/3 dos estudantes estão endividados, isso é a metade
do número de 1993.
A
demanda por diplomas universitários subiu e continua subindo, eu chamo de a
indústria dos diplomas. Porém o diploma nunca foi tão importante. O fato é que
as pessoas com diplomas universitários não necessariamente conseguem empregos
de acordo com a capacitação que escalam.
Neste
sentido de um lado temos a proliferação de faculdades e cursos, o que faz com
que ocorra a queda na qualidade do ensino, de outro temos as faculdades
públicas que parece um sonho brasileiro.
Não obstante a possibilidade de ingresso em uma faculdade pública não se
pode deixar de observar que existe a dificuldade em sua admissão, e começa pelo
fato que famílias pobres não têm condições de pagar os cursos preparatórios
para o vestibular.
Ou
seja, o processo de admissão não é o ideal, haja vista a pressão social e
financeira que representa e coloca sobre os alunos e suas famílias. Ao que
parece, a pessoa que reprova em uma faculdade estadual ou federal, fica
estigmatizada como alguém fadado ao insucesso.
Na
prática o que vemos é o seguinte: universitários oriundo de famílias pobres em
faculdades privadas e universitários de famílias ricas em faculdades públicas é
a verdadeira inversão de valores.
Por
fim, ainda pensando no paradoxo que é a educação no Brasil, o que me chama a
atenção, que o acadêmico após um longo período de estudos, ao buscar uma
colocação no mercado de trabalho, nem sempre vai encontrar salários condizentes
com sua profissão ou oportunidades para um recém-formado sem experiência, razão
pela qual explica porque vemos no Brasil engenheiros trabalhando com URBE,
advogados com vendas e médicos com clinicas de estética clandestino por ai.
Afinal
de contas, estamos no país que semianalfabeto se torna chefe de estado!
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
QUER CONHECE MAIS DO MEU TESTEMUNHO? - WAGNER PEDRO LIMA
Sou filho de Antonia de Lima Pedro, uma das sete filhas de
Luiza Senhorinha de Conceição e Manoel Sebastião de Lima, nascida em 05 de
novembro de 1939 na cidade de São Luiz do Quitunde em Alagoas.
Minha mãe estudou o bastante para os padrões da época,
completou o primeiro grau e chegou a trabalhar em fábrica, mas o forte como
toda a mulher daquele período era o preparo que recebeu para ser uma dona de
casa.
Ainda na mocidade se mudou com sua família para interior
região de Campinas, depois para a Zona Leste de São Paulo.
Oriunda de um lar com ensinamento cristão frequentava
enquanto solteira, a Igreja Assembleia de Deus, congregação da Águia de Haia –
Setor 9 – Itaquera, tendo como presidente do setor o Pastor Pereira.
Aos 16 de fevereiro de 1963 com a idade de 24 anos, se se
casou com Marcelino Pedro no cartório da Santa Efigênia.
Dessa união advieram ao casal quatro (quatro) filhos:
Jeferson Pedro, Wanessa Pedro, Regiane Pedro, Wagner Pedro Lima (aqui um
adendo, inclui judicialmente o sobrenome). Ainda teve um neto Renan Pedro da
Mata filho de Regiane Pedro com Renan da Mata.
Depois de casada, se mudou para o bairro da Vila Maria
período que procurava igreja para congregar. Depois nos anos 80 se mudou para
Vila Medeiros e passou a frequentar a Igreja Assembleia de Deus do bairro
ministério do Belém.
No dia 14/02/14 aproximadamente 08h00m, ela teve um
aneurisma cerebral. Foi socorrida pelo SAMU e levada para o Hospital São Luiz
Gonzaga, devido à gravidade da situação, foi removida para o Hospital Santa
Casa na Santa Cecília.
No dia 15/02/14 foi feito o procedimento cirúrgico para
drenar o sangue que havia sido derramado no lobo frontal direito e para
grampear a veia.
Desde então, ela permaneceu em coma na UTI, até que devido a
uma infecção hospitalar em múltiplos órgãos (rim e pulmões) ela veio a óbito em
13/03/14 causa broncopneumonia.
Já meu pai é o Marcelino Pedro, um dos treze filhos de Pedro
Hermínio da Silva e Maria Alexandre da Hora, nascido aos 18 de junho de 1937 na
cidade de Limoeiro de Anadia em Alagoas.
Meu pai sempre teve uma vida de muito trabalho, dos homens é
o irmão mais velho, e veio muito novo para SP e teve que aprender a sobreviver
em meio essa grande metrópole do Brasil.
Ele um ex-soldado PM, onde ingressou na Corporação em
31/07/1961, e por processo regular administrativo (Conselho de Disciplina) foi
excluído injustamente das fileiras da Polícia Militar em maio de 1985, contando
mais de 23 anos de serviço (o que se provou posteriormente ter sido um erro na
decisão).
No meio da turbulenta vida militar teve outros
relacionamentos e lhe adveio outros três filhos de mais dois relacionamentos,
que são: Emerson Pedro, Daniela Bastos Pedro e Wellington Bastos Pedro.
Na época de solteiro
frequentava a Igreja Assembleia de Deus do Ministério de Madureira na antiga
sede Rua Major Marcelino, 331 - Brás e depois pouco tempo na Assembleia de Deus
Ministério do Belém na antiga sede Rua Conselheiro Cotegipe, 273 – Belenzinho.
Mas discordando da doutrina logo se afastou da igreja, vindo a retomar apenas
muitos anos depois, a partir de 2014.
Agora falando um pouco mais de mim, sou o filho caçula dos
irmãos, com uma diferença significativa de idade em relação aos meus irmãos
(sendo que eu ainda criança os demais já estavam na adolescência e o mais velho
nas Forças Armadas).
Neste sentido me sentia como um filho único dentro de casa,
mas não posso reclamar dos mimos do meu pai embora que fazia de tudo pra chamar
a atenção de minha mãe.
Mamãe sempre trabalhou muito para deixar os afazeres
domésticos a contento de meu pai. Inclusive ela já me teve com a idade de risco
após os 40 anos de idade e hoje entendo que foi muito cansativo para ela a
responsabilidade me criar.
Interessante, que, na minha infância me sentia muito
sozinho, me achava desprezado por todos, e procurava ficar o maior tempo que
pudesse na rua quando me era permitido.
Sentia-me um rebelde sem causa, apesar de ser bem vestido,
bem alimentado, bem tratado, sentia dentro de mim muita rejeição e raiva.
Minha vida começou a mudar interiormente quando comecei a
ter experiências de certa forma até traumáticas eu diria, porém que me
amadureceram e muito.
Lembro-me que estudava o pré-escolar no Colégio Escola
Municipal de Educação Infantil Prof. Ítalo Bettarello e em certa ocasião uma de
minhas irmãs foi me buscar na porta do colégio, e por culpa de minha
desobediência não quis lhe dar a mão ao voltar para a nossa casa.
Mas neste dia chovia muito, muito mesmo, e houve uma
enxurrada que me arrastou pela Rua Tosca. Lembro-me que engolia muita água, e
senti muito temor, mas em pensamento vinha às palavras que minha mãe sempre
dizia lá em casa: - Jesus! E então em pensamento comecei repetidas vezes a
pensar neste nome, quando de repente senti um solavanco e fiquei preso a algo.
Muito depois descobri que a mochila em minhas costas havia se prendido no
escapamento da carcaça de um carro poucos metros antes da boca de lobo, ou
seja, por pouco não cai no rio. Nesse dia comecei a entender que minha vida era
preciosa de alguma forma que ainda não sabia.
Eu sei que a vida seguia seu rumo, eu tinha poucos amigos,
um se chamava Douglas e outro Vagner... Mas logo eles se mudaram lá da rua e
fiquei sem amiguinhos por um tempo.
Passava meu tempo na rua e vez e outra ia à igreja de
domingo à noite, mas preferia mesmo ficar em casa assistindo TV com meu pai.
Mas daí passei a ir com minha mãe em uns cultos domésticos
em varias casas diferentes. Interessante que morria de medo, pois nesses cultos
tinha exorcismos e coisas que lembram filmes de Hollywood (risadas). Mas teve um dia em especial, em que cantaram
uma musica muito conhecia na igreja chamada “Eu navegarei” e recordo-me, que
senti algo que não sabia explicar na época (parecia meio que uma presença, do
tipo quando tem alguém do seu lado e você fecha os olhos – sabe que esta lá
mais não consegue ver), mas era uma sensação boa, me trouxe paz... Dai comecei
a entender que existia coisas muito além do que podemos ver.
Mas não muito depois disto, teve algumas ocasiões em que
ficava sozinho em casa, e lembro que comecei a ter calafrios, sensações ruins,
e às vezes ouvia barulho na garagem e ia até lá, e nada encontrava, às vezes ia
até cozinha porque ouvia a máquina de escrever datilografando e chegava até lá
e nada. Naquela mesma semana fui ao culto de domingo. E o Pr Alberto Rezende
pregava em Vila Medeiros (de certa forma era um sermão que poderia alguém até
dormir, sem muita eloquência), mas inexplicavelmente só lembro que ao final
estava em prantos indo em direção ao altar fazendo a confissão de que estava
aceitando a Jesus Cristo como meu salvador, e logo um garoto de minha idade,
chamado André foi ao meu encontro e me abraçou e ali recebi a oração.
Comecei a frequentar assiduamente os cultos, e a participar
do grupo dos adolescentes. Mas ainda continuava há ficar mais tempo na rua do
que em casa. Eu sei que sempre fui respondão (risadas). E sei que em uma dessas
vezes na rua, fui espancado de uma gravidade tão grande que corri o risco de
ter um traumatismo craniano fora que perdi alguns dentes. O que aconteceu? O grande segredo que poucos
sabem é que de alguma forma meu cérebro apagou tudo... Só sei o que me disseram
na época, que um garoto 5 anos mais velho tinha feito a quilo comigo, e pelo
que dizem por que também foi mandado por outro mais velho ainda que na verdade
queria atingir a meu pai através de mim. Se for verdade eu não sei, mas essa
acabou se tornando a historia oficial.
Foi um período difícil, fiquei alguns dias sem ir à escola,
até que meu pai arrumou uma prótese dentária, mas daí ficava acuado em sala de
aula, envergonhado, já me sentia um pouco assim por ser um gordinho, e agora
banguelo, imagina? E tive um efeito sanfona, comecei a perder peso, e perdi a
vontade de ir à igreja, de ir à escola e de sair de casa. Fora o medo de
acontecer algo pior comigo na rua, e mesmo sem saber o porquê? Também fui
julgado pelos meus próprios pais que diziam que tudo era culpa minha, pelo fato
de ter sido desobediente e sempre ficar na rua.
Eu sei que após um período, algo aconteceu, eu já tinha o
hábito de ler muito, livros e principalmente gibis do Conan, mas minha mãe
sempre pegava no meu pé para eu ler a Bíblia.
E um dia, sozinho, ouvindo música, peguei uma Bíblia e abri
totalmente aleatoriamente, e caiu em Isaias 43:19 “Eis que farei uma coisa
nova, e, agora, sairá à luz; porventura, não a sabereis?”. Eu senti algo tão
forte dentro de mim, como se alguém tivesse enfiado a mão no meu coração e
tirado todo o lixo que estava ali. Naquele dia eu decidi voltar a frequentar a
igreja.
Nesse intervalo eu recebi ainda em casa a visita do
Robertinho e Taciana amigos lá da igreja. E sempre depois do culto outro amigo
Jeremias me trazia até em casa até o dia que retomei a confiança para andar
sozinho na rua (bastante tempo depois se diga). Mas na igreja tinha uma turma
que gostava muito de ficar junto, Salatiel, Marcelo Amorim, Priscila Amorim
(amigos que até hoje mantenho contato).
Passado pouco tempo, por incentivo do Pr. Natanael Farina,
me tornei candidato ao batismo e me batizei nas águas em 28/12/1997.
Depois desse período minha vida era escola e igreja e antes
dos 15 anos já tinha lido a Bíblia pelo menos duas vezes.
Nos anos 2000 arrumei um trabalho dos 14 para os 15 anos de
idade, era office boy (adorava trabalhar na rua) o local era uma loja de
refrigeração chamada Karijó (esse nome mesmo – risadas), pensava que antes dos
21 anos já seria independente (coitado de mim – risadas).
No ano de 2002 com 17 anos comecei a dedicação aos estudos
da Bíblia Sagrada já tendo como foco ser pregador. Queria ser um pregador
famoso (risadas) era apenas um garotão, mas logo alguém quis jogar um balde de
água fria, dizendo que quem troca o “r” pelo “l” ao pronunciar as palavras só
tinha vocação pra ser “cebolinha”.
Mas pouco tempo depois estava em um culto doméstico na casa
de uma irmã chamada Maria José, e havia uma irmã de estatura bem alta que
falava firme, chamada Ivonete, ela se dirigiu até mim dizendo que Deus havia me
chamado para ser um pregador, e que tudo que havia passado até então é para me
direcionar a meu destino. Disse que seria muito desprezado e que teria poucos
amigos, e que um dia Deus me daria uma esposa que estaria comigo lado a lado.
Lembro que pouco tempo depois, do nada, em um dia de
quinta-feira, igreja meio vazia, o saudoso Pr Rômulo me deu oportunidade para
pregar, e logo de cara foram 20 minutos falando, o sermão tinha até título “o
tempo de cantar chegou”.
No ano de 2003 com 18 anos fui convidado para auxiliar o
grupo de adolescentes local, atendi ao chamado prontamente, ao ponto que fiz
inclusive um curso na Igreja Batista, PAVI (Preparando o Adolescente para Vida)
recebendo aulas do Pr. Wanderley Rangel Filho. E já em 2004 entrei no CPO Curso
Preparatório para Obreiros (interessante que na minha sala só tinha diáconos,
presbíteros e até pastores ordenados e apenas eu de garoto) a turma nem me dava
bola. Sentava ao lado de um amigo, Milton Prado.
Mas logo cedo fui aprender que ministério em igreja não é
fácil, como tudo na vida tem espinhos. Minha primeira experiência marcante
ocorreu em meio a uma situação um tanto como estranha. Após dirigir e encerrar
a um culto (reunião), já do lado de fora da congregação, percebi um alvoroço,
um aspirante a obreiro na época, havia se desentendido com um jovem que fazia
pouco tempo que tinha reconciliado.
Depois fiquei sabendo
que o desentendimento ocorreu porque o jovem estava com intuito de namorar uma
garota do grupo da mocidade, e no juízo daquele aspirante a obreiro ele deveria
ficar de observação até porque ele estava retornando e precisava ajustar
algumas coisas em sua vida.
Desta forma o jovem sabendo que tal situação havia se
instalado, ele supostamente teve um comportamento ríspido ou algo similar com a
esposa deste obreiro. Dado o calor do momento, ambos entraram em uma calorosa
discussão.
Depois de toda a confusão, ouvi o então dirigente da
congregação dizer, que iria tomar duras atitudes em relação ao jovem “brigão”,
foi então o momento que tomei parte e disse que havia testemunhado a toda
confusão e que ambos haviam se exaltado.
Mal compreendido, fui chamado a comparecer a uma salinha que
naquele dia serviu de gabinete pastoral, e na conversa que aconteceu, foi sugerido
que eu estava com inveja do aspirante a obreiro, que teria que apoiar qualquer
decisão pastoral, porque na ótica daquele pastor, eu devia muito a ele pelas
oportunidades que eu estava recebendo, e fui ofendido, foi me dito, que eu não
era absolutamente ninguém, logo não teria credibilidade qualquer testemunho que
me propusesse a dizer em contrário.
Sem experiência, retruquei afirmando que seguiria
permanecendo convicto da minha opinião. Resumindo, fui corrigido publicamente,
por suposta afronta e ainda coagido a pedir perdão no culto de Ceia perante
toda a igreja, juntamente com os outros dois (entrei de gaiato no navio –
risadas).
Não demorou muito veio outra frustração, quando cuidava
juntamente com outra irmã, de aproximadamente 15 adolescentes, esta contagem
era superior ao grupo de jovens na época.
O fato é que, ambos os grupos deveriam encaminhar para Sede
Regional um determinado valor mensal, que segundo a liderança geral servia para
a preparação de Congressos (eventos promovidos pela Igreja).
Desta forma, como o grupo jovem local estava sem uma
liderança, consequentemente não estavam contribuindo. Neste contexto, um dia
fui chamado naquela mesma salinha que vez e outra serviam de gabinete pastoral,
sendo comunicado que ambos os grupos estavam sendo juntados, sem ao menos poder
opinar.
Na tentativa de explicar o que aprendi no curso de liderança
na Igreja Batista, argumentei que os grupos deveriam ser separados de acordo
com sua respectiva faixa de idade, mas foi ratificada a decisão, e
consequentemente fiz minha renúncia do cargo, fui imediatamente chamado de
“bode” pelo então pastor por não atender a sua pretensão.
Após o ocorrido, tive uma passagem rápida por outra igreja
pentecostal, entre 2006 a 2008 na AD Madureira de Vila Sabrina não demorou
muito fui recomendado ao pastor por alguns amigos que lá tinha e que já eram
obreiros, para compor uma equipe de líderes de jovens formando um grupo de
quatro líderes, sendo que eu seria o primeiro vice, para cuidar de um grupo de
aproximadamente 70 jovens.
Período este muito difícil pra mim, pois não consegui me
entrosar com os demais líderes que já se conheciam há muitos anos, e que
aparentemente não gostaram da decisão do pastor em me incluir na equipe (sendo
eu um novato, ficou parecendo que ocupava o cargo por conta da indicação)
enfim, talvez tenha sido impressão minha, mas o fato é que não me encaixei
muito bem no trabalho ou poderia dizer que não me sentia com liberdade para
desenvolver algum projeto que viesse a idealizar.
Depois retornei a minha igreja mãe em vila Medeiros, sendo
que ainda fui vice-líder de jovens e por um período bem curto líder. Ainda me
mantive firme no meu chamado, pregando em outros ministérios, em pontos de
pregação e em evangelismo.
Mas por um tempo, voltei a desanimar, e decidi abrir mão de
minha vocação por um período, procurando novas aspirações, desta forma
ingressei na Universidade para cursar Direito, inclusive na época algumas
pessoas da igreja me disseram que iria perder meu tempo e outras que não iria
conseguir pagar a mensalidade e me formar, porém insisti no meu objetivo, sendo
que entre 2006 até 2011 só me dediquei a minha carreira e por fim consegui meu
bacharelado.
Nesse período também foi de muitas mudanças, estava com meu
segundo carro, fazia parte do serviço auxiliar voluntário da PM, uma espécie de
soldado temporário, mas com direito a fardamento. Pensa como me sentia?
Risadas... Então neste período tinha deixado de lá a baixa alta estima da
adolescência e pensei comigo, agora vou namorar, e conheci algumas supostas
jovens que se intitulavam cristãs (mas muito rápido percebi que o testemunho
que se apresentava dentro da igreja não condizia com o testemunho que se
apresentava fora, isso me deixou bastante desapontado).
Mas após meu tempo na PM, fui iniciar os meus estágios da
Faculdade e durante meu estágio na Defensoria Pública do Estado de SP conhecia
a Suzana. A primeira vista sua beleza me chamou muito atenção, mas não era o
suficiente, queria algo sério pra minha vida, queria conhecer a pessoa, seus ideais
etc.
Lembro-me muito claramente, que um dia fui acompanha-la até
sua Faculdade a FIG e ali paramos em um local para tomar um suco, e ali comecei
a relatar todos meus temores, o medo de quando não tivesse mais meus pais
presentes, o medo de não conseguir me formar, e de não ser ninguém importante
na vida, o medo de não conseguir deixar minha marca neste mundo (papo
totalmente sem noção para um encontro não é verdade?), mas ali ela (Suzana) foi
atenciosa e compreensiva comigo, e dali houve outros encontros... Enfim,
percebi que ela era a pessoa certa para construir uma vida juntos, e estamos
juntos até hoje, enfrentando muitas coisas, mas sempre tendo vitórias.
E neste período comecei a escrever, a principio para ajudar
um amigo Pedro Silva, depois comecei a escrever materiais que o propósito era
para conscientizar minha esposa e seus familiares acerca da minha fé, e por fim
comecei a escrever o que não conseguia pregar nos púlpitos (risadas). Se eu me
considero escritor? Absolutamente não! Se eu gosto de escrever? Adoro escrever
mesmo sabendo que não sou tão bom, mas também sei que não sou tão ruim.
No ano de 2012, com 27 anos, voltei aos poucos a colaborar
na minha igreja, dando algumas aulas eventualmente na EBD até receber o convite
pelo superintendente para assumir de vez um lugar entre os professores.
Depois passei a ajudar na portaria da igreja e com tudo mais
que estivesse a meu alcance.
Em 2012 já estava inscrito nos quadros da Ordem dos
Advogados do Brasil e trabalhando na Operadora Claro o qual pretendia seguir
firme na empresa e fazer carreira. Mas infelizmente por algo alheio a minha
vontade fui dispensado.
Neste período já estava me planejando para casar então
mergulhei de cabeça na advocacia mesmo sem ter apoio financeiro de ninguém, a
não ser incentivo do meu pai, até procurei alguém da família pra ajudar, mas
sabe como é né? Tem coisas que é só com a gente apenas e mais ninguém...
Em 2014 perdi a minha mamãe como disse no inicio de minha
escrita... fiquei meio desnorteado e muitas pessoas me ajudaram a superar o meu
drama. Lembro que minha amiga Edna Castro até passou e lavou minhas roupas por
um tempo. Tempos tenebrosos em que acordava suado no meio da noite com
pesadelos. Mas mais uma vez Deus falou comigo (na verdade a essa altura já
havia tido muitas experiências sobrenaturais, mas que não caberia aqui escrever
tudo).
Nesse mesmo ano eu e minha esposa decidimos subir ao
altar. Bastante estresse na organização.
Até para casar tive que falar com um amigo Pr Sergio Moreira da IBAVIME (Igreja
Batista de Vila Medeiros) porque como ela não era de minha igreja não poderia
ser feito o casamento na Assembleia de Deus (mas como diz o ditado, quem tem
amigo não morre pagão). Pr Serginho foi como um pai e nos cedeu seu templo e
salão para cerimônia e recepção. Muitos até foram duros dizendo que iria
estragar meu ministério da pregação da palavra casando com a Suzana (o que
nunca ocorreu, minha esposa embora nem sempre me acompanhar, sempre respeitou
muito minha vocação ministerial).
Voltando a parte do casório, o pessoal da minha igreja super
me ajudaram. No meu dia de noivo estive na casa da Edna e do Adilson e comemos
uma baita feijoada, olha que coisa hilária (risadas). Lembro-me que nas
vésperas ficamos até de madrugada na arrumação das coisas. Solange, Edna,
Luciana, Salatiel, Gabriel que dia memorável! Essas pessoas citadas arregaçaram
as mangas e trabalharam duro neste dia. E outra benção aconteceu, faltavam
ainda muitas coisas para comprar e montar a casa, daí sem mais nem menos o Salatiel
acessou a lista de compras pelo celular e comprou tudo que faltava (que amigo
heim), louvado seja Deus. Enfim nos casamos...
Ainda em 2014 iniciei uma sociedade profissional com o Dr.
Fernando Maciel e Dr. Luiz Paulo, mas o primeiro se removeu ficando apenas o
Dr. Luiz e foi um período bom do ponto de vista comercial para se ganhar
honorários, e ficamos em sociedade até 2016.
Voltando aqui rapidinho para questão da minha vida na
igreja. Como já disse, desde sempre estava frequentando a igreja. Tive muitos pastores: Edson de Melo, João
Alves, Eurotildes Antão, Sebastião Batista, Salvador Herrera, Eugênio de Jesus,
Alberto Rezende, Natanael Farina, Pedro Pereira, Isaias Alves, Manuel Neto,
Cesar Lopes, Marcus Vinicius, José Ari, Inácio (AD MADUREIRA) Davi Miranda,
Samuel Hissa, Casemiro Souza, Sidney Scarpini e Cícero Honorato.
E depois de muitos anos empenhado no serviço da igreja, por
indicação do Pr Gilberto Vilas Boas, finalmente fui reconhecido e consagrado em
2017 para o cargo de diácono (já estava até perdendo a fé – risadas).
Dei continuidade nos estudos teológicos, dei continuidade em
ler e escrever livros dei continuidade nos estudos seculares também, fazendo
vários outros cursos de curta duração. Hoje faço parte de vários projetos,
inclusive alguns sociais e outros de evangelização, faço ainda estudos
bíblicos, atualmente tenho pregado em várias igrejas de denominações diferentes
(e se tem uma coisa que me faz sentir vivo é exercer o ministério da pregação).
Minha esposa e eu estamos para completar 4 (quatro) anos de
casados e desde 2009 que estamos juntos e felizes e principalmente mais
experientes do que no inicio.
Enfim, quem sabe você tem se perguntado por que escrevi tudo
isso? E acredite se quiser, escrevi de uma só vez (risadas). Eu estou
escrevendo para externar o quanto sou grato a Deus, porque até aqui Deus me
ajudou em tudo. E eu ainda tenho muitos projetos para serem realizados. Mas
quando olho para trás eu tenho a certeza que TODOS ELES SERÃO CONCRETIZADOS
PORQUE DEUS É BOM EM TODO TEMPO EM TODO TEMPO DEUS É BOM.
Espero que tenha gostado afinal todos nós gostamos de uma
história (risadas).
Atenciosamente, Wagner Pedro Lima.
SOLI DEO GLORIA
quarta-feira, 25 de julho de 2018
Ministério de Capelania de Frida Vingren o que deixaram de te contar
Frida Maria Strandberg Vingren morreu aos 49 anos, no dia 30 de setembro de 1940, na Suécia, nos braços da filha. Abatida, ela pesava 23 quilos.
No decorrer dos cinco anos anteriores, entre idas e vindas em um hospital psiquiátrico de Estocolmo, a missionária sueca perdera quase 40 quilos. Ela fora internada pela primeira vez no dia 12 de janeiro de 1935, levada da estação central da cidade, quando tentava tomar um trem que a levaria para Portugal - de onde, acredita-se, pegaria um navio de volta para o Brasil.
Casada com o sueco que fundou, em Belém do Pará, a Assembleia de Deus, Frida se tornou uma das mais importantes lideranças da igreja no decorrer dos 15 anos em que esteve no Brasil. Ajudou a construir o ministério no Rio de Janeiro, comandava um jornal e pregava em praça pública.
Suas atribuições – muitas até então reservadas apenas aos homens –, entretanto, desagradaram pastores brasileiros e suecos, fizeram com que ela fosse perseguida e pressionada a voltar a seu país de origem, onde teve um fim trágico
A história da missionária passou décadas esquecida e, nos últimos anos, vem sendo resgatada tanto na Suécia quanto no Brasil. Foi tema de livro, de tese de doutorado e voltou a alimentar o debate – atual e ainda polêmico – sobre o papel da mulher na Assembleia de Deus, a maior religião pentecostal do país, com 12 milhões de fiéis.
Frida embarcou para Belém em 1917, aos 26 anos, enviada pela Igreja Filadélfia, uma denominação pentecostal baseada em Estocolmo.
Veio para juntar-se a Gunnar Vingren, que, sete anos antes, havia fundado a Assembleia de Deus no Brasil. Eles haviam se conhecido naquele mesmo ano, quando o missionário estava na Suécia para arrecadar fundos e visitar a família.
"Ele conta a ela sobre a missão e ela se apaixona pela ideia do Brasil", diz Valéria Vilhena, pesquisadora da Universidade Metodista, que baseou o doutorado na vida da missionária e que lança neste ano um livro sobre sua história.
Três meses depois de desembarcar no Norte do país, ela se casa com Gunnar, em uma cerimônia realizada pelo pastor sueco Samuel Nyström, que, ironicamente, se tornaria um de seus maiores antagonistas
No início, Frida restringe seu trabalho aos serviços sociais da igreja, tradicionalmente entregues às mulheres. Cuidar dos filhos, zelar pelos órfãos, visitar os idosos e os doentes.
A jovem ia com frequência aos centros afastados que isolavam pacientes com hanseníase do restante da população – os chamados leprosários, que surgiram no Brasil naquela época –, diz Kajsa Norell, jornalista sueca autora de Halleljua Brasilien!, lançado em 2011, que conta a história do surgimento da Assembleia de Deus no Brasil.
O marido, missionário "por vocação", na definição de Vilhena, estava constantemente viajando, buscando expandir o trabalho da igreja. A saúde frágil fazia com que ele quase sempre voltasse para casa doente. As particularidades da região que escolheu para pregar não ajudavam: pegou malária diversas vezes.
"Ele ficava muito tempo de cama", diz o sociólogo Gedeon Freire de Alencar, autor de Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus, 1911-2011 e um dos primeiros a redescobrir a história de Frida, no início dos anos 2000.
Com o tempo, a missionária assume cada vez mais as atribuições de Gunnar em Belém. Talentosa, ela começa a traduzir os hinos da igreja sueca para o português. Canta, toca e começa a pregar
"Ela transforma os boletins entediantes dos missionários (publicados nos jornais da igreja sueca) em histórias incríveis. Um dos textos conta sobre a prisão que ela visitava toda semana em Belém, que mantinha 200 garotos entre cinco e 20 anos de idade, alguns que estavam ali simplesmente por não terem pai", conta Norell, que passou meses entre os arquivos da Igreja Filadélfia, mantidos em um castelo nas redondezas de Estocolmo.
Frida passa então a bater de frente com o pastor Samuel Nyström – à frente do jornal da Assembleia de Deus, batizado de Boa Semente –, que era radicalmente contra que as mulheres pudessem pregar
Em sua correspondência com a liderança da igreja na Suécia, Nyström passa a reclamar da missionária em toda oportunidade que lhe aparece. "Nas cartas que escrevia a Lewi Pethrus (uma das maiores figuras do pentecostalismo sueco) o tom é de fofoca mesmo: 'Hoje ela fez isso e isso, ontem foi isso e isso'", afirma Norell.
Em 1924, com quatro filhos, o casal Frida e Gunnar decide então se mudar para o Rio de Janeiro para fundar um novo ministério. "Eles decidem sair de Belém porque a tensão já era insustentável", ressalta Vilhena.
Na capital carioca, Frida expande seu trabalho. Torna-se a primeira mulher da religião a dirigir uma escola bíblica dominical, fundada em uma prisão, e inicia o jornal Som Alegre, através do qual passa a defender o ministério feminino.
Seus textos citam com frequência trechos da Bíblia que, em sua visão, deixavam claro que as mulheres poderiam pregar, ensinar ou doutrinar.
O comportamento desagrada também pastores brasileiros, incluindo Paulo Leivas Macalão, gaúcho, de família abastada e com tradição militar, que estava à frente da Assembleia de Deus Madureira, hoje uma das maiores do país
"Parte dos pastores da igreja no Rio de Janeiro já não queria se submeter a sueco pobre e semiletrado. A mulher, muito pior", acrescenta Alencar.
Ele lembra que, no início do século 20, a Suécia era um país pobre, onde a igreja luterana era a religião oficial. Perseguidos, os pentecostais migraram especialmente para os Estados Unidos. Os que vieram para o Brasil escolheram Belém porque, na época, graças à riqueza gerada pela borracha, era uma das cidades mais ricas do país.
As tensões culminam na convocação da primeira grande convenção da Assembleia de Deus, realizada no dia 12 de julho de 1930, em Natal (RN)
"O motivo da convocação foi Frida", destaca Isael Araújo, pastor da Assembleia de Deus em Niterói e autor da biografia Frida Vingren, lançada em 2014.
No encontro, os pastores definiram as atividades que poderiam ser desempenhadas pelas mulheres na igreja. Elas não chegaram a ser expressamente proibidas, por exemplo, de pregar - mas a atribuição não estava na lista do que as religiosas "tão somente" poderiam fazer.
"Foi um enquadramento", acrescenta Araújo, que foi chefe do Centro de Estudos do Movimento Pentecostal (CEMP) da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD). Em todo o processo, Gunnar ficou ao lado da esposa e defendeu o ministério feminino, mas foi voto vencido.
Nos meses que se seguiram, a situação ficou pior. Frida usou seu espaço no jornal da Assembleia para desafiar as decisões tomadas na convenção e para pedir que as mulheres não recuassem. "Um dos textos dessa época tinha como título 'Deus nos convoca para a guerra'. Era uma demonstração direta de insubordinação", diz Alencar
A situação fica insuportável no Brasil e, em de 1932, o casal, que na época tinha seis filhos, decide retornar à Suécia. Antes de partir, contudo, eles perdem a filha mais nova – e Gunnar morre pouco tempo depois de chegar à Europa
Frida quer retomar a vida de missionária, mas a liderança da igreja no Brasil não aprova seu retorno. Na Suécia, suas aspirações também são tolhidas por Lewi Pethrus, um dos maiores líderes da igreja pentecostal no país
Diante dos reiterados pedidos de Frida, o líder afirma que seu trabalho no Brasil havia prejudicado a missão e dá-lhe um não definitivo.
Ela levanta então recursos por conta própria e decide ir para Portugal.
Detida na estação de trem de Estocolmo, ela já sai com uma camisa de força em direção ao hospital psiquiátrico
A igreja lhe tira a guarda dos filhos e doa todos os seus pertence
Para Kajsa Norell, é difícil dizer se, naquele momento, Frida realmente tinha algum tipo de doença psiquiátrica. "Ela estava esgotada, física e mentalmente, já tinha tido malária no Brasil e, provavelmente, sofria de alguma doença na tireoide".
Em nenhum dos prontuários médicos, contudo, há o diagnóstico de que ela sofria de algum distúrbio mental
Durante sua pesquisa, a autora percebeu "alguma coisa estranha" nos olhos de Frida. Quanto mais recente a fotografia, mais saltados eles pareciam. A partir dos registros médicos da missionária, especialistas concluíram que ela tinha possivelmente hipertireoidismo – doença que provavelmente a matou.
Para o pastor Araújo, o conflito direto com as maiores lideranças da igreja está entre as razões para o 'esquecimento' de Frida. Ele nega que a biografia, publicada pela editora da Assembleia de Deus, seja uma ação de reparação à missionária.
"Gunnar Vingren, o pioneiro da igreja, já tinha uma biografia. A esposa, ainda não. Não quis fazer uma biografia crítica, porque não sou sociólogo", justifica.
Ele diz ter se deparado com a história quando trabalhava no Dicionário do Movimento Pentecostal, em 2007, e viajou à Suécia em 2008. Os diários de Gunnar e parte do acervo que estava com a família, incluindo fotos, hoje se encontram no Brasil.
Na Suécia, a Igreja Filadélfia foi confrontada com a trajetória de Frida quando o livro de Kajsa Norell foi lançado.
"Aquilo era uma novidade completa para nós", diz Gunnar Swahn, que foi secretário de missões da Igreja Filadélfia até recentemente, quando se aposentou. "Foi horrível o que fizeram com ela. Muita gente ficou chocada com a forma como ela foi tratada pelas antigas lideranças".
O livro, ele acrescenta, se soma a outras obras publicadas nos últimos anos na Suécia que revelam traços e atitudes polêmicas de Lewi Pethrus, em relação ao qual a igreja tem hoje uma postura crítica. "Digamos que ele não é idolatrado pelos fiéis, apesar de ainda ser uma figura importante".
FONTE: https://www.bbc.com/portuguese/geral-44731827?ocid=wsportuguese.chat-apps.in-app-msg.whatsapp.trial.link1_.auin
No decorrer dos cinco anos anteriores, entre idas e vindas em um hospital psiquiátrico de Estocolmo, a missionária sueca perdera quase 40 quilos. Ela fora internada pela primeira vez no dia 12 de janeiro de 1935, levada da estação central da cidade, quando tentava tomar um trem que a levaria para Portugal - de onde, acredita-se, pegaria um navio de volta para o Brasil.
Casada com o sueco que fundou, em Belém do Pará, a Assembleia de Deus, Frida se tornou uma das mais importantes lideranças da igreja no decorrer dos 15 anos em que esteve no Brasil. Ajudou a construir o ministério no Rio de Janeiro, comandava um jornal e pregava em praça pública.
Suas atribuições – muitas até então reservadas apenas aos homens –, entretanto, desagradaram pastores brasileiros e suecos, fizeram com que ela fosse perseguida e pressionada a voltar a seu país de origem, onde teve um fim trágico
A história da missionária passou décadas esquecida e, nos últimos anos, vem sendo resgatada tanto na Suécia quanto no Brasil. Foi tema de livro, de tese de doutorado e voltou a alimentar o debate – atual e ainda polêmico – sobre o papel da mulher na Assembleia de Deus, a maior religião pentecostal do país, com 12 milhões de fiéis.
Frida embarcou para Belém em 1917, aos 26 anos, enviada pela Igreja Filadélfia, uma denominação pentecostal baseada em Estocolmo.
Veio para juntar-se a Gunnar Vingren, que, sete anos antes, havia fundado a Assembleia de Deus no Brasil. Eles haviam se conhecido naquele mesmo ano, quando o missionário estava na Suécia para arrecadar fundos e visitar a família.
"Ele conta a ela sobre a missão e ela se apaixona pela ideia do Brasil", diz Valéria Vilhena, pesquisadora da Universidade Metodista, que baseou o doutorado na vida da missionária e que lança neste ano um livro sobre sua história.
Três meses depois de desembarcar no Norte do país, ela se casa com Gunnar, em uma cerimônia realizada pelo pastor sueco Samuel Nyström, que, ironicamente, se tornaria um de seus maiores antagonistas
No início, Frida restringe seu trabalho aos serviços sociais da igreja, tradicionalmente entregues às mulheres. Cuidar dos filhos, zelar pelos órfãos, visitar os idosos e os doentes.
A jovem ia com frequência aos centros afastados que isolavam pacientes com hanseníase do restante da população – os chamados leprosários, que surgiram no Brasil naquela época –, diz Kajsa Norell, jornalista sueca autora de Halleljua Brasilien!, lançado em 2011, que conta a história do surgimento da Assembleia de Deus no Brasil.
O marido, missionário "por vocação", na definição de Vilhena, estava constantemente viajando, buscando expandir o trabalho da igreja. A saúde frágil fazia com que ele quase sempre voltasse para casa doente. As particularidades da região que escolheu para pregar não ajudavam: pegou malária diversas vezes.
"Ele ficava muito tempo de cama", diz o sociólogo Gedeon Freire de Alencar, autor de Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus, 1911-2011 e um dos primeiros a redescobrir a história de Frida, no início dos anos 2000.
Com o tempo, a missionária assume cada vez mais as atribuições de Gunnar em Belém. Talentosa, ela começa a traduzir os hinos da igreja sueca para o português. Canta, toca e começa a pregar
"Ela transforma os boletins entediantes dos missionários (publicados nos jornais da igreja sueca) em histórias incríveis. Um dos textos conta sobre a prisão que ela visitava toda semana em Belém, que mantinha 200 garotos entre cinco e 20 anos de idade, alguns que estavam ali simplesmente por não terem pai", conta Norell, que passou meses entre os arquivos da Igreja Filadélfia, mantidos em um castelo nas redondezas de Estocolmo.
Frida passa então a bater de frente com o pastor Samuel Nyström – à frente do jornal da Assembleia de Deus, batizado de Boa Semente –, que era radicalmente contra que as mulheres pudessem pregar
Em sua correspondência com a liderança da igreja na Suécia, Nyström passa a reclamar da missionária em toda oportunidade que lhe aparece. "Nas cartas que escrevia a Lewi Pethrus (uma das maiores figuras do pentecostalismo sueco) o tom é de fofoca mesmo: 'Hoje ela fez isso e isso, ontem foi isso e isso'", afirma Norell.
Em 1924, com quatro filhos, o casal Frida e Gunnar decide então se mudar para o Rio de Janeiro para fundar um novo ministério. "Eles decidem sair de Belém porque a tensão já era insustentável", ressalta Vilhena.
Na capital carioca, Frida expande seu trabalho. Torna-se a primeira mulher da religião a dirigir uma escola bíblica dominical, fundada em uma prisão, e inicia o jornal Som Alegre, através do qual passa a defender o ministério feminino.
Seus textos citam com frequência trechos da Bíblia que, em sua visão, deixavam claro que as mulheres poderiam pregar, ensinar ou doutrinar.
O comportamento desagrada também pastores brasileiros, incluindo Paulo Leivas Macalão, gaúcho, de família abastada e com tradição militar, que estava à frente da Assembleia de Deus Madureira, hoje uma das maiores do país
"Parte dos pastores da igreja no Rio de Janeiro já não queria se submeter a sueco pobre e semiletrado. A mulher, muito pior", acrescenta Alencar.
Ele lembra que, no início do século 20, a Suécia era um país pobre, onde a igreja luterana era a religião oficial. Perseguidos, os pentecostais migraram especialmente para os Estados Unidos. Os que vieram para o Brasil escolheram Belém porque, na época, graças à riqueza gerada pela borracha, era uma das cidades mais ricas do país.
As tensões culminam na convocação da primeira grande convenção da Assembleia de Deus, realizada no dia 12 de julho de 1930, em Natal (RN)
"O motivo da convocação foi Frida", destaca Isael Araújo, pastor da Assembleia de Deus em Niterói e autor da biografia Frida Vingren, lançada em 2014.
No encontro, os pastores definiram as atividades que poderiam ser desempenhadas pelas mulheres na igreja. Elas não chegaram a ser expressamente proibidas, por exemplo, de pregar - mas a atribuição não estava na lista do que as religiosas "tão somente" poderiam fazer.
"Foi um enquadramento", acrescenta Araújo, que foi chefe do Centro de Estudos do Movimento Pentecostal (CEMP) da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD). Em todo o processo, Gunnar ficou ao lado da esposa e defendeu o ministério feminino, mas foi voto vencido.
Nos meses que se seguiram, a situação ficou pior. Frida usou seu espaço no jornal da Assembleia para desafiar as decisões tomadas na convenção e para pedir que as mulheres não recuassem. "Um dos textos dessa época tinha como título 'Deus nos convoca para a guerra'. Era uma demonstração direta de insubordinação", diz Alencar
A situação fica insuportável no Brasil e, em de 1932, o casal, que na época tinha seis filhos, decide retornar à Suécia. Antes de partir, contudo, eles perdem a filha mais nova – e Gunnar morre pouco tempo depois de chegar à Europa
Frida quer retomar a vida de missionária, mas a liderança da igreja no Brasil não aprova seu retorno. Na Suécia, suas aspirações também são tolhidas por Lewi Pethrus, um dos maiores líderes da igreja pentecostal no país
Diante dos reiterados pedidos de Frida, o líder afirma que seu trabalho no Brasil havia prejudicado a missão e dá-lhe um não definitivo.
Ela levanta então recursos por conta própria e decide ir para Portugal.
Detida na estação de trem de Estocolmo, ela já sai com uma camisa de força em direção ao hospital psiquiátrico
A igreja lhe tira a guarda dos filhos e doa todos os seus pertence
Para Kajsa Norell, é difícil dizer se, naquele momento, Frida realmente tinha algum tipo de doença psiquiátrica. "Ela estava esgotada, física e mentalmente, já tinha tido malária no Brasil e, provavelmente, sofria de alguma doença na tireoide".
Em nenhum dos prontuários médicos, contudo, há o diagnóstico de que ela sofria de algum distúrbio mental
Durante sua pesquisa, a autora percebeu "alguma coisa estranha" nos olhos de Frida. Quanto mais recente a fotografia, mais saltados eles pareciam. A partir dos registros médicos da missionária, especialistas concluíram que ela tinha possivelmente hipertireoidismo – doença que provavelmente a matou.
Para o pastor Araújo, o conflito direto com as maiores lideranças da igreja está entre as razões para o 'esquecimento' de Frida. Ele nega que a biografia, publicada pela editora da Assembleia de Deus, seja uma ação de reparação à missionária.
"Gunnar Vingren, o pioneiro da igreja, já tinha uma biografia. A esposa, ainda não. Não quis fazer uma biografia crítica, porque não sou sociólogo", justifica.
Ele diz ter se deparado com a história quando trabalhava no Dicionário do Movimento Pentecostal, em 2007, e viajou à Suécia em 2008. Os diários de Gunnar e parte do acervo que estava com a família, incluindo fotos, hoje se encontram no Brasil.
Na Suécia, a Igreja Filadélfia foi confrontada com a trajetória de Frida quando o livro de Kajsa Norell foi lançado.
"Aquilo era uma novidade completa para nós", diz Gunnar Swahn, que foi secretário de missões da Igreja Filadélfia até recentemente, quando se aposentou. "Foi horrível o que fizeram com ela. Muita gente ficou chocada com a forma como ela foi tratada pelas antigas lideranças".
O livro, ele acrescenta, se soma a outras obras publicadas nos últimos anos na Suécia que revelam traços e atitudes polêmicas de Lewi Pethrus, em relação ao qual a igreja tem hoje uma postura crítica. "Digamos que ele não é idolatrado pelos fiéis, apesar de ainda ser uma figura importante".
FONTE: https://www.bbc.com/portuguese/geral-44731827?ocid=wsportuguese.chat-apps.in-app-msg.whatsapp.trial.link1_.auin
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