DR. WAGNER PEDRO LIMA
Nas coisas essenciais, a unidade; nas coisas não essenciais, a liberdade; em todas as coisas, a caridade
segunda-feira, 16 de março de 2026
Religião e Política no Discurso do Jornal Mensageiro da Paz durante a Assembleia Nacional Constituinte (1986-1988): Uma Análise à Luz da Sociologia da Religião.
Religião e Política no Discurso do Jornal Mensageiro da Paz durante a Assembleia Nacional Constituinte (1986-1988): Uma Análise à Luz da Sociologia da Religião.
Wagner Pedro Lima
Resumo: Este artigo analisa o discurso político-religioso veiculado pelo jornal Mensageiro da Paz, órgão oficial da Assembleia de Deus, durante o processo da Assembleia Nacional Constituinte (1986-1988).
O estudo identifica como a instituição propõe uma ideia de “batalha espiritual” na política, a formação de uma bancada confessional e os traços discursivos alinhados à Teologia do Domínio – corrente que, segundo Rushdoony (1973) e Bahnsen (1977), defende a reconstrução da sociedade sob a lei bíblica e o domínio cristão sobre todas as esferas sociais.
Por meio da análise de conteúdo (Bardin, 2011) das edições do periódico, o artigo revela uma evolução discursiva em três fases distintas: mobilização e introdução da ideia de “batalha espiritual” na política; consolidação da bancada e defesa de valores; e ofensiva final e vitória simbólica. Conclui-se que a Constituinte funcionou como um rito de passagem e um campo de aprendizado prático que não apenas forjou uma bancada evangélica coesa, mas também consolidou um arcabouço discursivo que legitimou e impulsionou o ativismo político evangélico nas décadas subsequentes, materializando um projeto de influência societal de longo prazo.
Palavras-chave: Ciência da Religião; Sociologia da Religião; Mensageiro da Paz; Teologia do Domínio; Assembleia Nacional Constituinte; Evangélicos e Política.
Introdução
O processo de redemocratização brasileira, culminando na Assembleia Nacional Constituinte (1987-1988), representou muito mais do que a simples elaboração de uma nova Carta Magna. Foi um período de intensa reconfiguração do pacto social, de redefinição das instituições nacionais e de emergência de novos atores no cenário político. Nesse contexto, os grupos religiosos, notadamente os evangélicos que vivenciavam um crescimento exponencial desde meados do século XX, enxergaram uma janela de oportunidade histórica ímpar para influenciar os rumos do país e garantir que sua visão de mundo e seus valores morais encontrassem ressonância no ordenamento jurídico nacional.
Este artigo se dedica a investigar, a partir de uma perspectiva interdisciplinar da Ciência da Religião, com forte ênfase na abordagem sociológica, como a Assembleia de Deus, a maior e mais influente denominação pentecostal do Brasil, articulou um discurso que conjugava de forma intrínseca a fé e a política. O veículo escolhido para esta análise é o seu principal órgão de imprensa, o jornal Mensageiro da Paz. Circulando nacionalmente, este periódico não era apenas um informativo; era um instrumento de doutrinação, coesão identitária e mobilização para seus fiéis.
A análise desse discurso é fundamental para compreender a gênese do ativismo político evangélico contemporâneo. Busca-se, especificamente, identificar e interpretar os traços de um projeto político-religioso de influência societal, examinando a possível ressonância de correntes teológicas como a Teologia do Domínio. Para Rushdoony (1973), a Teologia do Domínio é a convicção de que a sociedade deve ser reconstruída segundo a lei bíblica, e de que os cristãos são chamados a exercer domínio sobre todas as esferas da vida – família, política, educação, economia –, de modo a produzir uma ordem social explicitamente cristã. Para este autor, a teologia do domínio “afirma a necessidade de que a lei de Deus governe todos os aspectos da vida humana e de que os cristãos assumam autoridade sobre as instituições da sociedade”. Bahnsen (1977) avança nessa definição, caracterizando-a como uma visão teonômica na qual a Lei moral e civil do Antigo Testamento continua normativamente válida para regular a sociedade contemporânea, sustentando que o “domínio” dado a Adão e renovado em Cristo inclui a obrigação de aplicar os padrões bíblicos à vida pública.
Partindo desse referencial teórico, este trabalho busca integrar a análise sociológica do fenômeno religioso – observando a religião como um fato social que interage, conflita e se transforma em diálogo com outras esferas da sociedade – com a interpretação crítica do discurso político-evangélico. Objetiva-se, assim, valorizar a interdisciplinaridade proposta pela Ciência da Religião, explorando as interfaces entre o religioso e o político como dimensões fundamentais para a compreensão da formação social brasileira.
Referencial Teórico
A Sociologia da Religião, desde seus clássicos como Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx, compreende a religião não como um fenômeno isolado, mas como uma instituição social profundamente imbricada com a estrutura da sociedade. Max Weber, em particular, ao analisar a ética protestante e seu impacto no espírito do capitalismo, demonstrou como crenças religiosas podem ter consequências imprevistas e profundas na organização econômica e social. Este artigo se inscreve nessa tradição, entendendo o discurso do Mensageiro da Paz como uma manifestação de um “ethos” religioso que busca orientar a ação social e política de seu grupo.
Para analisar a articulação entre religião e política, o conceito de campo, desenvolvido por Pierre Bourdieu, mostra-se profícuo. O campo religioso e o campo político são esferas autônomas com lógicas próprias, mas que constantemente se interpenetram. A atuação da bancada evangélica na Constituinte pode ser vista como uma estratégia de agentes religiosos para importar o capital simbólico acumulado no campo religioso – sua autoridade moral, seu poder de mobilização, seu discurso de verdade – para o campo político, visando acumular capital político e influenciar as regras do jogo social.
É neste contexto que o conceito de Teologia do Domínio se torna analiticamente crucial. Conforme exposto, para Rushdoony (1973) e Bahnsen (1977), trata-se de uma visão que transcende a mera participação política pontual. É um projeto compreensível de reordenamento social, uma teologia política que aspira à hegemonia cultural e jurídica. A socióloga Sara Diamond foi uma das pioneiras em utilizar e popularizar o termo “dominionismo” para descrever esta tendência político-teológica dentro da direita cristã, principalmente nos Estados Unidos (Diamond, 1989; Berlet, 2011). No contexto brasileiro, sua influência, ainda que não necessariamente nominal ou ortodoxa, pode ser rastreada em discursos que defendem a submissão do Estado e das leis aos princípios bíblicos, a conquista de espaços de poder para "cristianizar" a nação e a visão da política como uma guerra espiritual.
Este artigo não assume que a Assembleia de Deus como instituição subscrevia formalmente à uma concepção que subordinava a esferas politica e social ao cristianismo. No entanto, busca identificar no discurso do Mensageiro da Paz traços dominionistas – elementos discursivos e estratégicos que ecoam essa visão de mundo e esse projeto de sociedade.
Método: Análise de Conteúdo do Mensageiro da Paz
Para operacionalizar esta investigação, foi adotada a Análise de Conteúdo, conforme metodologia sistematizada por Laurence Bardin (2011). Esta técnica permite uma leitura não apenas quantitativa, mas sobretudo qualitativa e interpretativa dos materiais, indo além da aparência dos textos para desvendar seus significados latentes e suas intencionalidades.
O corpus da pesquisa foi composto pelas edições do jornal Mensageiro da Paz publicadas no período chave de novembro de 1986 a dezembro de 1988, abrangendo assim as fases pré, durante e pós-Assembleia Nacional Constituinte. O acesso ao material deu-se através do acervo virtual da Relep (https://www.relep.org.br/biblioteca-virtual).
A metodologia adotada foi organizada em três etapas interligadas:
1. Leitura Exploratória: Uma primeira imersão no material, com o objetivo de identificar os temas recorrentes, os atores mencionados, o tom do discurso e as ênfases dadas ao processo constituinte.
2. Organização Sistemática: A partir da leitura exploratória, estabeleceram-se critérios de análise que permitiram agrupar e examinar o conteúdo de modo organizado. Foram criadas categorias analíticas, tais como: "Batalha Espiritual na Política", "Defesa de Valores Morais", "Construção de Inimigo", "Narrativa de Vitória/Influência", entre outras.
3. Análise Interpretativa: Nesta fase final, os excertos categorizados foram interpretados à luz do referencial teórico, buscando-se compreender as estratégias discursivas empregadas, a visão de sociedade subjacente e os possíveis diálogos com a Teologia do Domínio e o contexto sociopolítico da redemocratização.
Análise e Discussão: A Evolução do Discurso Político-Religioso no Mensageiro da Paz
A análise detalhada do material revelou uma nítida evolução no discurso político-religioso do Mensageiro da Paz, que pode ser periodizada em três fases principais, cada uma com características e ênfases próprias.
Fase 1: A Mobilização e a “Batalha Espiritual” na Política (Nov/1986 - Abr/1987)
Esta fase inicial, que antecede e acompanha o início dos trabalhos da Assembleia Nacional Constituintes, é marcada pelo enquadramento do processo político como uma “batalha espiritual”. A participação na esfera pública é elevada à categoria de imperativo religioso.
Na edição de novembro de 1986, lê-se: "As profundas mudanças pelas quais passa o País […] tomam indispensável a efetiva contribuição dos evangélicos nas discussões dos temas a serem incluídos na nova Carta Magna do Brasil." (p. 6)
Esta fala constrói a participação política não como uma opção, mas como um dever inerente à fé. O voto é enquadrado como um ato de unidade e apoio comunitário: "E os políticos evangélicos só poderão participar contando com o apoio de todos, elegendo seus representantes." (p. 6). Observa-se aqui a formação de uma identidade política coletiva, onde o indivíduo crente é convocado a agir em bloco.
A ideia do cargo público representar igualmente um posicionamento no mundo metafisico é outro traço marcante. Sobre o então candidato José Maria, afirma-se: "José Maria acredita ser possível atuar na política sem perder em nenhum momento o brilho do testemunho cristão." (p. 20). A política é, assim, ressignificada como um ministério, uma extensão pública do testemunho de fé, onde a conduta moral ilibada é o principal capital.
A legislação é vista como uma missão divina: "é a Palavra de Deus que deve dirigir todas as iniciativas dos evangélicos que tiverem o privilégio de participar de um momento tão importante para a Nação" (p. 20). Este trecho é emblemático, pois sugere que a lei secular deve ser diretamente guiada e moldada pelos princípios bíblicos, um claro indício de um projeto teonômico.
Por fim, a mobilização se dá através da construção de um conflito ideológico. Alertava-se: "Caso contrário, o comunista, por exemplo, tomará o lugar, levando adiante ideias […] altamente nocivas à liberdade religiosa". (p. 20). A figura do "comunista" funciona como um bode expiatório, um inimigo tangível que gera medo, urgência e coesão interna, mobilizando o grupo em torno da defesa de suas liberdades e da conquista do espaço político.
Na edição de abril de 1987, já com os representantes eleitos em exercício, o discurso se consolida. A manchete anuncia: "Constituintes evangélicos formam, em número, a quarta maior bancada da Assembleia -- Em Brasília, estarão lutando contra a liberação do aborto -- A moralização dos meios de comunicação será, também, uma das metas do grupo." (p. 1). A bancada é apresentada como um bloco coeso e combativo, já com uma agenda moral definida, mostrando a transição da mobilização eleitoral para a atuação legislativa concreta.
A ideia de “Batalha Espiritual” se aprofunda. O Dep. João de Deus Antunes declara: "Os joelhos serão a nossas armas para derrubarem as barreiras que, sem dúvida, se levantarão contra nós. Mas elas serão vencidas pelo poder da oração." (p. 13). A atividade política é, portanto, enquadrada como uma “batalha espiritual”, onde o sucesso depende mais da intervenção divina do que de estratégias políticas convencionais, reforçando a ideia de uma guerra cósmica que se desenrola no plano terrestre.
Fase 2: A Consolidação da Bancada e a Defesa de Valores (Ago/1987 - Mar/1988)
Nesta fase intermediária, observa-se a consolidação da atuação da bancada evangélica e um aprofundamento da defesa de valores morais específicos, acompanhado de uma fiscalização interna.
A edição de março de 1988 é particularmente reveladora ao publicar uma crítica contundente:
"Os tempos são difíceis e muitos crentes, às vezes, atrapalham o progresso do Evangelho. Quem leu o 'Jornal do Brasil', de 30 de novembro de 1987, observou, nitidamente, que alguns constituintes evangélicos têm se comportado como os incrédulos e oportunistas da política brasileira" (p. 4).
Este trecho demonstra uma sofisticação discursiva. Há uma exigência de conduta política distintiva. Os políticos evangélicos não são apenas representantes de um grupo de interesse, mas embaixadores de uma moralidade superior. Qualquer deslize é visto como uma traição não apenas política, mas religiosa, "atrapalhando o progresso do Evangelho". Isso reforça a necessidade de um projeto político confessional coeso e rigidamente alinhado a princípios morais específicos, funcionando como um mecanismo de controle e purificação do grupo.
Paralelamente, surge um discurso que articula a ação política com o benefício comunitário. Escreve Maria Rita Barbosa Pereira: "É necessário que todos os crentes [em] cargos eletivos se preocupem com os projetos que visem o bem-estar do povo. Quando a luta tem objetivos comuns, o povo evangélico é, também, beneficiado" (p. 4).
"É necessário que todos os crentes [em] cargos eletivos se preocupem com os projetos que visem o bem-estar do povo. Quando a luta tem objetivos comuns, o povo evangélico é, também, beneficiado" (p. 4).
Aqui, observa-se uma instrumentalização da ação política. A representação no Estado deve assegurar vantagens tangíveis para o grupo religioso, articulando uma visão onde a fé e os interesses comunitários estão intrinsecamente ligados à atuação no espaço público.
Fase 3: A Ofensiva Final e a Vitória Simbólica (Jun/1988 - Dez/1988)
A fase final do processo constituinte é caracterizada por um discurso de mobilização máxima e, posteriormente, pelo enquadramento dos resultados como uma vitória parcial e simbólica, consolidando a narrativa de influência e poder.
Em junho de 1988, uma pergunta retórica na capa do jornal direciona o olhar do leitor: "Qual a solução para o Brasil? A qualquer momento pode ser promulgado o novo texto constitucional, que traz as novas diretrizes para a nação brasileira nos próximos anos." (p. 1). A questão posiciona a Constituinte como um marco decisivo para o destino nacional, uma preocupação central da comunidade evangélica, que se apresenta como portadora de uma "solução".
Um dos momentos mais significativos para a análise da influência política é narrado na edição de agosto de 1988, referindo-se ao deputado Matheus Iensen: "Todavia, Matheus Iensen foi sensível aos apelos que lhe foram dirigidos pelas lideranças evangélicas, além de muitos documentos que lhe chegaram às mãos oriundos de todas as partes do Brasil." (p. 7)
"Todavia, Matheus Iensen foi sensível aos apelos que lhe foram dirigidos pelas lideranças evangélicas, além de muitos documentos que lhe chegaram às mãos oriundos de todas as partes do Brasil." (p. 7)
Este trecho é central para identificar um traço dominionista, pois narra um caso concreto de influência bem-sucedida sobre o poder secular. A menção às "lideranças evangélicas" e aos documentos de "todas as partes do Brasil" constrói a imagem de um bloco coeso, organizado e com capacidade real de pressão política. A vitória na retirada da emenda é apresentada como prova da eficácia dessa mobilização e do reconhecimento, pelo poder político, do peso numérico e organizacional dos evangélicos. É a materialização do "domínio" em ação.
Interessante notar a estratégia de reconciliação e neutralização do oponente: "E ao encerramento dos trabalhos […] ele dirige-se ao plenário… e num gesto de compreensão, retirou a tão combatida emenda…" (p. 7). O discurso evita demonizar o deputado, descrevendo sua ação como um "gesto de compreensão". Esta postura é inteligente, pois transforma um oponente em alguém que foi racionalmente persuadido, encerrando o conflito de forma não antagônica e abrindo espaço para futuras negociações.
Contudo, a narrativa de conflito permanece como ferramenta de mobilização. Na edição de outubro, o pastor Guilhermino Cunha adverte:
"Os inimigos do Evangelho sabem disso, e por isso estão trabalhando com o propósito de desgastar nossos representantes na Constituinte porque eles são líderes, eles foram eleitos, e no momento em que nosso arsenal de liderança se mostrar fraco, nós teremos a nossa representatividade diminuída." (p. 13)
A categoria "inimigos do Evangelho" é vaga mas poderosa, criando um "eles" que se opõe ao "nós". Esta oposição binária justifica a necessidade de coesão interna e serve para consolidar a identidade grupal contra uma ameaça externa indefinida, um movimento retórico comum em projetos de conquista de influência.
O discurso também revela uma clara ambição de influência religiosa sobre o Estado e a Lei. Na edição de novembro, Nemuel Kessler afirma:
"A Constituição sem reforma... Temos plena consciência de que a Constituição é a que consegue o estado de direito e revitaliza as instituições de um país... Mas, sob que o Brasil será melhor e que já está mudando... A missão desses homens... é reconhecer a soberania de Deus." (p. 2)
Aqui, sugere-se que a ordem constitucional e jurídica deve estar submetida à "soberania de Deus", refletindo a visão dominionista de que as leis e instituições seculares devem ser governadas por princípios cristãos. Essa ideia é reforçada pela afirmação de que "A Bíblia supera as 170 constituições dos países que existem no mundo, e só ela é capaz de mudar o interior do homem." (p. 2). A Bíblia é colocada como norma superior a todas as constituições humanas, deslocando a fonte de soberania do povo para a divindade.
Por fim, a edição de dezembro de 1988, que cobre a promulgação da nova Carta, encerra o ciclo com um discurso de vitória:
"Na promulgação da nova Constituição, evangélicos mostram sua força -- Pastor Geziel Gomes afirma que Deus deseja morar nos corações dos brasileiros -- Povo de Deus ora para que a Constituição traga nova esperança ao país neste Natal." (p.1)
O trecho é revelador. Ele não apenas registra um fato, mas o enquadra como um momento de demonstração de "força" evangélica. A oração para que a Carta traga "nova esperança" sugere uma expectativa de que o documento legal incorpore, ou pelo menos não se oponha, a uma visão de mundo cristã. É a celebração de um primeiro passo, simbólico e discursivo, na longa marcha para influenciar as bases legais e culturais da sociedade brasileira.
Conclusão
A análise do discurso do Mensageiro da Paz ao longo de todo o processo constituinte permite identificar a construção consciente e evolutiva de um projeto político-religioso de longo prazo. O que emerge de suas páginas não é uma mera cobertura jornalística de um evento político, mas a elaboração de uma narrativa totalizante que espiritualizou a política, definiu uma agenda moral específica e forjou as bases simbólicas e organizacionais de um projeto de influência societal.
A Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988 funcionou, nas páginas do periódico, muito mais do que um parlamento; foi um rito de passagem e um campo de aprendizado prático. Foi nesse laboratório que se forjou não apenas uma bancada parlamentar, mas todo um arcabouço discursivo – com suas estratégias de mobilização, sua linguagem de guerra espiritual, sua definição de inimigos, sua exigência de conduta distintiva e sua narrativa de vitória e influência – que forneceria o repertório e a legitimida
sexta-feira, 19 de setembro de 2025
Reflexão Religião Hoje - Wagner Pedro
Baseado no Livro a Era Secular de Charles Taylor.
No contexto atual, vivemos uma realidade que pode ser descrita como “crer, sem pertencer”. A fé não desapareceu, mas mudou de forma. Charles Taylor observa que surge a figura do “cristão renascido”, alguém que não se prende a uma instituição ou tradição específica, mas se vê como um peregrino dos nossos dias: uma pessoa em constante busca, tentando discernir e trilhar o próprio caminho espiritual.
Esse movimento faz parte de um processo de secularização, no qual muitas pessoas não querem mais estar “amarradas” a um lugar ou a uma agenda institucional fixa. Isso explica, por exemplo, o esvaziamento dos templos na Europa. Não é que as pessoas tenham abandonado a fé, mas muitas já não veem sentido em manter uma frequência semanal em cultos ou rituais organizados.
Nesse cenário, ganha força a visão de Mikhail Epstein sobre a “religião mínima”, entendida como uma espiritualidade vivida no círculo imediato do indivíduo — em sua família, em suas amizades, nos lugares e nas coisas que o cercam. Trata-se de uma espiritualidade do cotidiano, particular e personalizada, mais do que uma religião institucionalizada.
Assim, o que cresce é a postura de ser “espiritual, mas não religioso”: buscar transcendência, sentido e conexão, sem necessariamente vincular-se a uma igreja ou organização formal.
terça-feira, 1 de julho de 2025
Resenha do documentário Autoridade policial por Wagner Pedro
Disputa de Fronteira entre Terras de Brancos e Índios
As disputas de fronteira entre as terras dos brancos e dos índios nos Estados
Unidos tiveram um papel fundamental na formação e atuação das primeiras
forças policiais do país. Desde o início da colonização europeia na América do
Norte, houve uma constante tensão e conflito entre os colonos brancos e as
populações indígenas nativas. Essas tensões eram frequentemente exacerbadas
por tratados quebrados, expansão territorial agressiva por parte dos colonos e a
resistência indígena.
Para proteger os interesses dos colonos e expandir as fronteiras coloniais, foram
criadas milícias locais e grupos de patrulheiros, que podem ser considerados os
precursores das forças policiais modernas. Esses grupos tinham como principal
função proteger os assentamentos dos ataques indígenas e ajudar na expansão
territorial, muitas vezes de forma violenta.
A criação dessas milícias e patrulhas refletia a política de expansão e domínio
territorial, onde a força e a intimidação eram usadas para desalojar os nativos
americanos de suas terras ancestrais. As ações dessas forças muitas vezes
resultavam em massacres e deslocamentos forçados das populações indígenas,
consolidando a perda de suas terras e recursos.
Fiscalização do Trabalho Escravo de Negros
A fiscalização do trabalho escravo de negros nos Estados Unidos também
desempenhou um papel crucial no desenvolvimento das primeiras formas de
policiamento. Durante o período colonial e até a Guerra Civil, o sistema escravista
era fundamental para a economia, especialmente no sul do país. Para manter o
controle sobre a população escrava, foram estabelecidas patrulhas de escravos,
que eram responsáveis por capturar escravos fugitivos, prevenir revoltas e
assegurar que os escravos permanecessem subjugados.
Essas patrulhas de escravos, muitas vezes formadas por homens brancos locais,
operavam com grande violência e impunidade. Seu principal objetivo era manter a
ordem racial e econômica, garantindo que os escravos permanecessem sob o
controle de seus senhores. Essas práticas estabeleciam uma base para um
sistema de policiamento que estava intrinsecamente ligado à repressão racial e
ao controle social.
A história das patrulhas de escravos tem um legado duradouro, influenciando a
formação das primeiras forças policiais formais nos Estados Unidos. Após a
abolição da escravatura, muitas das práticas e mentalidades dessas patrulhas
foram incorporadas nas novas instituições policiais, contribuindo para um
sistema de policiamento que muitas vezes continuava a tratar os afro-americanos
com desconfiança e violência.
Contenção da Classe de Trabalhadores
A contenção da classe de trabalhadores nos Estados Unidos também foi uma das
funções primordiais das forças policiais emergentes. Com o advento da
Revolução Industrial e o crescimento das cidades, surgiram novas tensões sociais
e econômicas. As condições de trabalho nas fábricas eram muitas vezes
perigosas e insalubres, e os trabalhadores enfrentavam longas jornadas e baixos
salários. Isso levou ao surgimento de movimentos trabalhistas e sindicatos que
lutavam por melhores condições de trabalho e direitos trabalhistas.
Em resposta, as forças policiais eram frequentemente usadas para conter e
reprimir esses movimentos. As greves e protestos eram vistos como uma ameaça
à ordem pública e aos interesses dos proprietários das fábricas e da classe
dominante. As autoridades policiais, muitas vezes em conluio com os
empregadores, recorriam à violência para dispersar manifestações, prender
líderes sindicais e intimidar os trabalhadores.
Essa função repressiva das forças policiais consolidou a percepção de que o
policiamento estava mais voltado para a proteção dos interesses econômicos e
políticos da elite do que para a segurança pública. Essa dinâmica contribuiu para
uma relação tensa e conflituosa entre a classe trabalhadora e as forças de
segurança, uma tensão que, em muitos aspectos, persiste até hoje.
Conclusão
A evolução das forças policiais nos Estados Unidos está profundamente
entrelaçada com a história de conflitos territoriais, raciais e de classe. Desde as
milícias que combateram as populações indígenas, passando pelas patrulhas de
escravos que sustentaram o sistema escravista, até as forças policiais que
reprimiram movimentos trabalhistas, o policiamento no país tem suas raízes em
práticas de controle e repressão social. Compreender essa história é fundamental
para analisar e abordar as questões contemporâneas de justiça e reforma policial.
terça-feira, 3 de setembro de 2024
INVEJA COMO OBJETO DE UMA CONSTRUÇÃO SOCIAL
INVEJA COMO CONSTRUÇÃO SOCIAL – POR WAGNER PEDRO
Os equívocos sobre a inveja decorrem da falta de compreensão dela como
construção social. Entre eles, a ideia de que ocorre principalmente entre iguais, a crença
de que invejamos por querer mais, a noção de que é por vergonha que negamos ser
invejosos, e a suposição de que é apenas a tristeza por não ter o que o outro tem. Além
disso, a concepção de que a proximidade é crucial para a inveja surge da mesma falta de
compreensão. Exemplos disso incluem a incompreensão de que mesmo os mais ricos
podem invejar e a ausência de menção e de teorias que explicam a inveja como
construção social na bibliografia existente.
O invejoso não sente inveja o tempo todo nem de todas as pessoas, mas sim em
determinadas situações e contra indivíduos específicos. Isso fica evidente quando
multidões que apoiam atletas, artistas ou oradores favoritos ficam felizes com seu
sucesso, apesar de serem rotuladas como invejosas em outros contextos. A inveja surge
quando alguém considerado "mais fraco" ganha ou ameaça ganhar muito conforto, pois
a cultura estabelece que eles devem ter menos. A ruptura desse padrão gera inveja.
Exemplo: Bill Gates ganhar mais é aceitável, mas uma faxineira ganhar muito na loteria
gera desconforto. Histórica e socialmente, aplaudimos vencedores e desfavorecemos
perdedores, criando repulsa por grupos considerados atrasados. A estrutura social
determina quem é considerado mais forte, e a inveja surge quando essa estrutura é
desafiada. O convívio coletivo estabelece distinções que tornam difícil tratar todos
igualmente, mesmo que teoricamente saibamos que são iguais.
Na prática, embora afirmemos tratar todos igualmente, é raro vermos mendigos
recebendo autógrafos. Segundo Bourdieu, as posições sociais só se definem em relação
umas às outras. Mesmo pessoas ricas e sofisticadas podem perder prestígio em certos
contextos. A raiz de problemas como machismo, racismo e feminismo é a ideia de que
os "menos fortes" devem ter menos conforto. Isso gera estranheza e inveja quando
alguém considerado "menos forte" recebe mais apreço do que deveria. Exemplos
incluem negros bem-sucedidos aplaudidos por racistas e mulheres poderosas apoiadas
por machistas. A violência simbólica ocorre quando os "menos fortes" são tratados com
pouco apreço, enquanto a inveja surge quando recebem muito. Ambas são causadas pela
mesma força social. O mesmo padrão se repete em questões de machismo, racismo e
feminismo.
Se a inveja fosse inata, então por que não invejamos tantas pessoas prósperas,
mesmo quando estão muito melhores que nós? Por que não invejamos tantos animais
que são mais habilidosos e livres do que nós? O convívio coletivo estabeleceu
hierarquias para organizar as relações sociais, mas quando essa estrutura é quebrada,
ficamos desconcertados porque queremos que os "menos fortes" tenham menos
conforto. É importante notar que mesmo os ricos não são totalmente beneficiados por
esse sistema, pois podem sentir inveja dos "menos fortes" que prosperam e enfrentar
oposição daqueles que os veem como "menos fortes".
A inveja é uma construção social e mutável. Exemplos como Mariah Carey, Will
Smith e Joe Osteen ilustram como a sociedade aplaude aqueles que antes eram
considerados "menos fortes". A teoria apresentada mostra que a inveja não é um traço
genético fixo, pois podemos aprender a apreciar o sucesso de quem antes era visto como
oposto. Filósofos e cientistas sociais renomados, como Pierre Bourdieu e Michel Foucault, observaram a violência simbólica, mas não relacionaram diretamente com a
inveja. Da mesma forma, outros pensadores não identificaram a conexão entre diversos
problemas sociais e a inveja. O sistema capitalista mantém hierarquias que prejudicam
os "menos fortes", apesar do esforço e talento individual. Civilizações antigas
possivelmente contribuíram para a construção da inveja, perpetuada pelo pacto social
atual. Isso explica por que muitas pessoas trabalham arduamente, mas ainda enfrentam
tratamento e recompensas desiguais. O casamento entre uma funcionária esforçada e um
milionário gera estranheza devido à quebra do padrão de "menos forte". A mesma força
social que gera inveja também impede um mercado mais justo. Essa é a essência da
inveja e seu mecanismo de funcionamento.
A incomodidade diante de um orador que fala português incorretamente surge da
nossa familiaridade com o português correto, refletindo nossa busca pelo que é justo e
correto. Da mesma forma, quando o sistema social é desafiado, como quando um
faxineiro se torna famoso, isso gera inveja devido à ruptura da norma social. Esse
desconforto decorre da nossa vontade de justiça, não de uma predisposição genética à
maldade. A sensação de inveja pode parecer exclusiva, mas está ligada à importância da
conquista para nós, ao sentimento de injustiça e à nossa percepção individual das
pessoas. A inveja é resultado de uma construção social que define quem é considerado
"mais forte" e "menos forte", influenciando nossa reação ao sucesso alheio. Argumentos
sobre predisposições genéticas são refutados, pois é a sociedade que determina quem é
"mais forte" em diferentes contextos. A preferência pessoal não justifica a oposição ao
sucesso alheio, que é moldada pela socialização que ensina a desvalorizar os "menos
fortes". Isso explica por que até mesmo pessoas queridas podem despertar inveja, como
filhos ou cônjuges.
Há situações em que a alegria de alguém que não gostamos nos perturba,
enquanto em outras não. Isso ocorre porque o ciúme e a inveja têm raízes diferentes: o
ciúme, muitas vezes, está relacionado a sentimentos individuais, como amor ou medo de
perda, enquanto a inveja surge de construções sociais que estabelecem quem é
considerado "mais forte" e "menos forte". Essas normas sociais moldam nossa reação ao
sucesso alheio, levando à perturbação diante de quem foge do padrão estabelecido. O
ciúme, assim como a inveja, é muitas vezes provocado pela mesma força social que
determina que os "menos fortes" devem ter menos conforto e prazer. Embora os ricos
possam ser invejados, os mais invejados são aqueles que são considerados "menos
fortes" em determinado contexto social. A distância entre o invejoso e o invejado não é
o fator determinante, mas sim a percepção de quem é considerado mais digno de
sucesso. Essa dinâmica se reflete em diversas situações, desde relações pessoais até
interações no trabalho.
A aflição causada pela mordomia excessiva em humanos não é um traço
genético, mas sim uma construção social. Incomodamo-nos com os direitos de grupos
considerados "menos fortes" em determinadas situações sociais, ao passo que não nos
afligimos com a mordomia de árvores e animais. Isso porque a inveja é exclusivamente
uma construção social entre humanos, influenciada por hierarquias e normas culturais.
O sistema social estabelece quem é "menos forte" e, portanto, quem deve ter menos
conforto, moldando nossa percepção e reações. Essa dinâmica é evidente na relação
com o trabalho, onde o sofrimento imposto aos "menos fortes" é muitas vezes aceito
como normal, gerando desconcerto quando quebrado. A inveja ocorre apenas entre
humanos devido à cultura que estabelece padrões e comparações sociais. A perturbação humana nem sempre é causada por inveja, mas sim por questões como injustiça ou
trauma. O sistema social molda grande parte de nossas posturas desde o nascimento,
influenciando nossa percepção de conforto e sucesso. Apesar das forças sociais
contrárias, a insistência em buscar a felicidade é alinhada com as forças biológicas
naturais. A superação dessas forças sociais pode resultar em apoio e reconhecimento
significativos.
As percepções de desprezo e menosprezo não estão vinculadas exclusivamente a
características como gênero, raça, orientação sexual ou posição social, mas afetam tanto
os considerados "menos fortes" quanto os "mais fortes". Isso indica que a inveja e a
oposição não estão ligadas apenas à pessoa alvo, nem ao invejoso em si, mas sim a uma
força social que molda tais percepções ao longo da história. O suicídio, por exemplo, é
influenciado por pressões sociais externas, assim como o desconcerto gerado pela
derrota de um time de futebol favorito. A inveja surge quando há um desequilíbrio nas
tradições sociais, levando à angústia e, em casos extremos, ao suicídio. A mudança de
conceitos pode alterar nossas reações à prosperidade dos outros, indicando que a inveja
não é um traço fixo ou genético. A diferença entre inveja boa e má reside na percepção
do invejado como "mais forte" ou "menos forte", determinando nossas reações de apoio
ou oposição. A força social exterior, geral e coercitiva, é responsável por moldar nossos
sentimentos em relação aos outros, definindo quem é visto com apreço e quem é
desprezado.
Os especialistas frequentemente pensam que a inveja é mais intensa entre iguais,
como mulheres para mulheres ou negros para negros, devido às pressões sociais que
limitam cada grupo dentro de suas próprias balizas. Essas balizas sociais geram
desconforto quando alguém as ultrapassa, provocando inveja mesmo dentro do próprio
grupo. No entanto, a inveja não está necessariamente ligada à igualdade entre as
pessoas, mas sim à prosperidade de quem é considerado "menos forte". A inveja surge
quando alguém percebe um "menos forte" progredindo ou ameaçando progredir. A
angústia causada por essa percepção vem muitas vezes acompanhada de um sentimento
de injustiça. A ideia de que o invejoso quer o que é do outro nem sempre é verdadeira;
muitas vezes, o que perturba o invejoso é o valor atribuído à conquista do invejado.
Essa percepção ajuda a explicar por que certas realizações alheias perturbam mais do
que outras. Embora a inveja possa levar a comportamentos extremos, como roubo ou
assassinato, nem todo crime é motivado por inveja. Além disso, o fato de alguém roubar
ou matar por inveja não indica que a inveja seja inata, mas sim uma construção social.
A impressão de que a inveja é coisa de gente fracassada surge da percepção de
que pessoas "menos fortes" tendem a invejar aqueles que têm sucesso semelhante ao seu
próprio nível. Por exemplo, um atleta famoso aceita mais facilmente o sucesso
financeiro de outro atleta famoso, enquanto pode sentir inveja se alguém do mesmo
nível social prospera em um campo diferente. No entanto, a inveja não é exclusiva de
pessoas fracassadas; ela surge quando alguém percebe uma injustiça em relação ao seu
próprio esforço e sucesso. Os especialistas muitas vezes concluem erroneamente que os
mais invejados são os mais ricos, devido à falta de uma explicação coerente sobre como
a inveja realmente funciona. Na verdade, a pessoa mais invejada não é necessariamente
a mais rica, mas sim aquela que é considerada "menos forte" pelo invejoso. Isso ocorre
porque o invejoso tem uma visão pejorativa do sucesso do invejado, achando-o indigno do reconhecimento. A inveja surge quando um "menos forte" é bem-sucedido ou parece
ameaçar prosperar. No entanto, a inveja não é uma característica genética; ela é
moldada pela cultura e pelas pressões sociais que incentivam a competição e a
comparação entre pessoas. Os conflitos entre "menos fortes" e "mais fortes" não são
necessariamente causados pela propriedade privada, mas sim pelas forças sociais que
perpetuam divisões e injustiças. No entanto, nem todos os "menos fortes" suscitam
inveja; apenas aqueles que recebem mais comodidade do que o esperado são alvo de
inveja. Portanto, a inveja não é simplesmente uma questão de ambição ou interesse nos
lucros, mas sim uma resposta às percepções de desigualdade e injustiça social.
Foucault critica a relação entre conhecimento e poder, que amarga a vida dos
menos privilegiados, atribuindo o problema à ganância capitalista. No entanto, essa
visão não considera que a inclusão de grupos marginalizados beneficia o capitalismo, e
as forças sociais geradoras da inveja existem independentemente do sistema econômico.
O capitalismo é afetado e, em alguns casos, prejudicado por essas forças sociais. A
hierarquia de papéis é considerada útil, mas deveria ser acompanhada de igualdade de
valor entre todas as posições sociais.
Yuval Noah Harari observa que as narrativas divergentes, como as "histórias
imaginárias", contribuem para conflitos entre diferentes grupos sociais. Porém, ele não
conectou esses conflitos à inveja, como faço agora. A inveja é alimentada pelo sistema
de tradições que estabelece que os "menos fortes" merecem menos conforto. Isso levou
à opressão de grupos considerados inferiores ao longo da história. Mesmo sem
divergências ideológicas, a inveja pode causar massacres e conflitos. A flexibilidade
humana na adaptação das narrativas não impediu a ocorrência de violência e injustiça. A
inveja surge quando um grupo ganha destaque, causando desconforto aos outros. Isso
não é determinado por questões genéticas, mas por construções sociais mutáveis. A
falsidade nas relações humanas também é influenciada pela inveja: apoiamos ou
rejeitamos conforme a percepção de força do outro. A prosperidade dos "menos fortes"
causa estranheza ou cooperação, dependendo da mudança de conceito sobre eles. O
conflito de gênero também é alimentado pela necessidade de impor desconforto aos
considerados "menos fortes". No entanto, a criança não se importa com a liderança
desde que traga benefícios, indicando que a aversão ao poder dos outros surge da
mesma força social que gera inveja.
De acordo com o darwinismo social, as sociedades mais simples são vistas como
estágios inferiores de desenvolvimento humano, levando à crença de que os "menos
fortes" deveriam ser eliminados para acelerar a evolução. Isso resultou em crueldade
contra povos considerados primitivos no século XIX, baseada em teorias evolucionistas.
A ideia de inferioridade foi perpetuada ao longo da história, levando à opressão de
grupos e ao surgimento do sistema de tradições que gera inveja. A inveja, uma força
poderosa, destrói mais do que o câncer, mas muitas vezes é negada por vergonha ou por
falta de compreensão de seu funcionamento. Terapias falham não por inveja do
terapeuta, mas por abordagens inadequadas. O desconforto diante do sucesso alheio é
resultado da programação para o fracasso. A exposição da teoria da inveja através de
exemplos reais visa tornar o abstrato tangível. O amor também pode ser distorcido pela
inveja, como evidenciado pela violência contra crianças e idosos, que são percebidos
como "menos fortes" em certas sociedades.
sexta-feira, 28 de junho de 2024
Lidando com a Rejeição: Transformando Obstáculos em Oportunidades
A rejeição é um tema delicado, que muitos preferem evitar. No entanto, desde cedo, aprendi a enfrentar a rejeição e a usá-la como uma força motriz para meu crescimento pessoal e profissional.
Quando era jovem, o garoto gordinho, cheio de espinhas, o nerd não tão descolado, ou aquele que não sabia jogar futebol mas se dava bem com os gamers, eu era muitas vezes rejeitado. Na igreja, eu era visto como o menos indicado, alguns até acreditavam que eu não seguiria firme na fé.
Profissionalmente, enfrentei inúmeros desafios e descrenças. Disseram que eu não faria faculdade; fiz. Quando entrei na faculdade, diziam que não terminaria; terminei. Quando terminei, diziam que não passaria na OAB; fui aprovado. Depois, diziam que eu não conseguiria clientes; conquistei minha clientela e estou atuando há mais de dez anos.
Quando disseram que eu pararia na primeira graduação, fiz a segunda. E quando duvidaram que eu concluiria a segunda, fiz a terceira. No ministério, duvidaram da minha capacidade de falar, riam do meu jeito "cebolinha" de trocar o "r" pelo "l". Hoje, sou um pregador que já pregou tantas vezes que perdi a conta, em lugares variados: praças, hospitais, delegacias, asilos, abrigos, casas de recuperação de dependentes, sertão do Nordeste, entre outros.
Quando me tornei diácono, disseram que eu não passaria disso. Agora, como presbítero, há quem diga que não irei além. Disseram que eu nunca apareceria no rádio, eu apareci. Disseram que nunca estaria na TV, eu estive. Disseram que nunca escreveria um livro, eu escrevi. E quando disseram que não publicaria por uma editora, fui publicado.
Pessoalmente, disseram que eu nunca teria uma família; hoje, tenho uma esposa e uma filha maravilhosas. Disseram que eu não teria amigos, e tenho amigos fiéis de longa data. Disseram que minhas redes sociais nunca passariam de 1k; ultrapassei essa marca.
Agradeço a cada crítico, pois suas palavras me impulsionaram a continuar. Não me considero grande, mas também não sou pequeno. Sou do tamanho dos sonhos que carrego dentro de mim.
A rejeição, quando bem enfrentada, pode se tornar uma poderosa aliada. Cada "não" que recebi se transformou em um passo rumo às minhas conquistas. Portanto, lembre-se: a verdadeira medida de quem somos não está nas palavras dos outros, mas na determinação e na fé que temos em nós mesmos e no propósito que Deus nos deu.
Atenciosamente,
Wagner Pedro Lima
segunda-feira, 10 de junho de 2024
TEOLOGOS QUE VOCE DEVERIA CONHECER
### Pentecostais
**Carlos
Augusto Vailatti** - **Formação Acadêmica**: Doutor em Teologia pela Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). - **Contribuições Acadêmicas**:
Professor de teologia, autor de vários livros, conferencista.
**Esequias Soares** - **Formação Acadêmica**:
Graduado em Teologia e Letras, mestre em Ciências da Religião. - **Contribuições
Acadêmicas**: Pastor presidente da Assembleia de Deus em Jundiaí, SP, e
presidente da Comissão de Apologética da CGADB.
**Esdras Bentho** -
**Formação Acadêmica**: Graduado em Teologia e Letras, mestre em Teologia e
Ciências da Religião. - **Contribuições Acadêmicas**: Autor de livros, com
enfoque em hermenêutica e exegese bíblica.
**Douglas Baptista** - **Formação
Acadêmica**: Graduado em Teologia, mestre em Ciências da Religião. -
**Contribuições Acadêmicas**: Presidente do Conselho de Educação e Cultura da
CGADB, autor de diversas obras.
#### Reformados
**Russell Shedd
(in memoriam)** - **Formação Acadêmica**: PhD em Novo Testamento pela University
of Edinburgh (Escócia). - **Contribuições Acadêmicas**: Missionário, escritor,
professor de teologia, fundador da Edições Vida Nova.
**Russell Norman
Champlin (in memoriam)** - **Formação Acadêmica**: PhD em Línguas e Literaturas
Clássicas. - **Contribuições Acadêmicas**: Autor de uma vasta coleção de
comentários bíblicos, tradutor e professor.
**Heber Campos** - **Formação Acadêmica**: Doutor em
Teologia. - **Contribuições Acadêmicas**: Professor de teologia, autor e
conferencista.
**Rubem Azevedo Alves (in
memoriam)** - **Formação Acadêmica**: Doutor em Teologia pelo Princeton
Theological Seminary (EUA). - **Contribuições Acadêmicas**: Escritor, poeta,
educador, conhecido por suas contribuições à teologia e educação.
**Milton
Schwantes (in memoriam)** - **Formação Acadêmica**: Doutor em Teologia pela
Kirchliche Hochschule Bethel (Alemanha). - **Contribuições Acadêmicas**:
Professor de Antigo Testamento, autor de diversas obras, reconhecido por suas
pesquisas bíblicas.
**Isaltino Gomes Coelho (in memoriam)** - **Formação
Acadêmica**: Doutor em Ministério. - **Contribuições Acadêmicas**: Pastor,
escritor e conferencista.
#### Padres (Católicos)
**Leonardo Boff** -
**Formação Acadêmica**: Doutor em Teologia pela Universidade de Munique
(Alemanha). - **Contribuições Acadêmicas**: Teólogo da libertação, escritor
prolífico, professor universitário e conferencista internacional.
**Joaquim
Carreira Neves (in memoriam)** - **Formação Acadêmica**: Doutor em Teologia. -
**Contribuições Acadêmicas**: Escritor, professor de teologia, conhecido por
suas contribuições à teologia católica.
3. **João Evangelista Martins (in
memoriam)** - **Formação Acadêmica**: Mestre em Teologia. - **Contribuições
Acadêmicas**: Pastor, escritor e professor de teologia.
quarta-feira, 25 de outubro de 2023
RESUMO DA SÉRIE: COMO SE TORNAR UM LÍDER DE SEITA – POR WAGNER PEDRO
INTRODUÇÃO:
A série "Como se Tornar um Líder de Seita" explora a trajetória de diversos líderes carismáticos que fundaram seitas e cultos notórios ao longo da história, oferecendo lições e insights sobre como alcançar poder e influência seguindo seus passos. Vamos analisar brevemente cada líder mencionado na série e as lições que podemos extrair de suas histórias:
1. Charles Manson:
Seita: Família Manson
Fim: Manson e seus seguidores cometeram uma série de assassinatos em 1969, incluindo o assassinato da atriz Sharon Tate. Manson foi condenado à prisão perpétua.
Lição: Aprenda a aceitar seu dom e se reinventar. Manson era um delinquente que se transformou em um assassino lendário, usando sua influência sobre seus seguidores. Resumindo: Construa sua base.
2. Jim Jones:
Seita: Templo do Povo
Fim: Em 1978, Jones liderou o suicídio em massa de mais de 900 seguidores na Guiana, em um evento conhecido como Jonestown, resultando em uma das maiores tragédias em massa da história.
Lição: Saiba como conseguir seguidores fervorosos. Jones convenceu centenas de pessoas a seguir suas ordens cegamente, mostrando a importância de criar uma congregação leal. Resumindo: Lição: Aumente seu rebanho.
3. Jaimie Gomez:
Seita: Buddhafield
Fim: A seita de Gomez foi desmascarada como um culto de personalidade e sofreu divisões internas após a exposição de suas atividades. No entanto, ele nunca enfrentou consequências legais significativas.
Lição: Domine a arte da manipulação. Gomez, um ator fracassado, construiu um exército de seguidores através de sua suposta iluminação, destacando a necessidade de controlar mentes. Resumindo: Lição: Controle mentes.
4. Marshall Applewhite:
Seita: Heaven's Gate
Fim: Em 1997, Applewhite liderou um suicídio em massa de 39 seguidores, acreditando que seriam transportados para uma nave espacial.
Lição: Crie uma ameaça convincente e consolide seu poder. Applewhite construiu uma narrativa espiritual fantasiosa para manter o controle sobre seus seguidores. Resumindo: Lição: Ofereça salvação.
5. Shoko Asahara:
Seita: Aum Shinrikyo
Fim: Aum Shinrikyo foi responsável por um ataque com gás sarin no metrô de Tóquio em 1995, matando 13 pessoas. Asahara e outros membros da seita foram condenados à morte e executados em 2018.
Lição: Aproveite a cobertura da mídia e cultive uma imagem piedosa. Asahara usou estratégias de relações públicas e métodos mortais para criar a seita Aum Shinrikyo, mostrando a importância de proteger sua imagem. Resumindo: Lição: Proteja sua imagem.
6. Sun Myung Moon:
Seita: Igreja da Unificação (Moonies)
Fim: Moon faleceu em 2012, mas a Igreja da Unificação continua a existir sob a liderança de seu filho, Hyung Jin Moon, e outros. A organização permanece ativa em todo o mundo.
Lição: Evite finais infelizes e consolide seu legado. Moon transformou sua igreja em uma máquina econômica próspera, enfatizando a importância de preparar um sucessor. Resumindo: Lição: Prepare seu sucessor.
CONCLUSÃO:
Na conclusão da série, é possível fazer um paralelismo entre esses líderes de seitas e alguns falsos pastores que fundaram grandes ministérios religiosos, destacando como as lições mencionadas também podem ser aplicadas em contextos religiosos mais convencionais. Essa análise ressalta a influência e o perigo que podem estar associados à liderança carismática quando utilizada de maneira manipuladora.
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